ELE ESTÁ MAIS VELHO, MAIS CHATO, MAIS FEIO, MAIS MAU E MAIS SEM-VERGONHA QUE NUNCA.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Quarta-feira, Novembro 14, 2007



Às vezes lembro com ternura da minha infância, das coisas que fazia para me divertir, das coisas que irritavam meus pais, meus familiares e a vizinhança de uma maneira geral. Sabe, era divertido correr ao redor das casas em dias de festa. Geralmente tinha muitas outras crianças correndo nas festas também, o que era bom, pois assim eu podia me juntar a elas. Realmente era muito divertido tudo aquilo. Com o tempo os movimentos desordenados, descoordenados, e até violentos, pela força que começava a brotar em meu corpo, fizeram com que meus amiguinhos da época das corridas em volta das casas deixassem de brincar comigo, suas mães alegavam que eu estava ficando muito violento para o restante do grupo.

Tive um desenvolvimento mais rápido que o normal para minha idade, muito embora minha linha de raciocínio continuasse a mesma porcaria, ou seja, brincar de correr, e correr em volta de casas... Ah, como eram bons aqueles tempos. Para minha alegria as outras crianças também começaram a crescer, logicamente que não na mesma proporção que eu, mas, enfim, cresceram. No entanto, eu continuava forte, pelo menos mais forte que as demais crianças... Forte e desengonçado, feito qualquer criança que cresce além e mais rápido que o normal.



Naquela época fui considerado uma bizarrice pelos moradores que compunham o visual pacato da rua onde morava. Todas as crianças daquela região, assim que seus pais souberam que um dia eu levei uma porção de meninas para baixo de uma casa para brincarmos de nem me lembro o que, não puderam mais brincar comigo. Aliás, ninguém mais podia brincar comigo. Eu me tornara uma ameaça para os bons costumes, mas isto segundo os olhos cafonas dos adultos daqueles ultrapassados anos corroídos pela pureza ignorante imposta à nossa sociedade. Contudo, as meninas nunca reclamaram das brincadeirinhas que eu inventei lá embaixo, no porão da casa que nem sei de quem era também... É... Já eram sinais de uma nova era.



O tempo passou, ainda bem, e com ele se foram os inocentes, ou nem tanto assim, anos da minha adorável infância atribulada. Digo atribulada pelo fato de que só me aquietava quando estava em estado febril. Coisa que era difícil de acontecer comigo por que vivia roubando laranjas, mexericas, limões, enfim, toda e qualquer fruta que fosse rica em vitamina C e que ficasse à mostra nos pés. Eu era o terror da vizinhança, o centro das atenções e o campeão de reclamações. Ninguém gostava de mim, nem meus pais. Mas isto são apenas detalhes, tolos e insignificantes detalhes.

Depois veio o tempo da pré-adolescência, em seguida da adolescência e finalmente da fase adulta... Que coisa mais chata. Ainda bem que logo fui para o quartel também. E lá fiquei por algumas dezenas de anos. Contudo, não tire conclusões apressadas, também não fiz muitos amigos por lá. Era um mundo hostil... Para qualquer um que chegasse perto de mim. Não gostava muito de pessoas me rodeando, me bajulando. Mas foi no quartel que me senti mais tranqüilo, quase não via as pessoas do mundo exterior, ou seja, aquelas consideradas normais. Com o tempo fiquei amigo do Azambuja, do Beleléu e de mais um que nunca soube do nome. Penso até que nem tinha nome aquele indivíduo. Mas está aí uma coisa que não faz a menor importância para mim; saber do nome de um sujeito que faz muito tempo que não o vejo... Besteira.



Em outro tempo conheci o Pereirinha... Bom, na verdade já o conhecia dos tempos de colégio, quando éramos crianças e coisa e tal, mas cada um foi fazer o que mais interessou, e aí a distância nos separou. Então, como havia começado a dizer, conheci novamente o Pereirinha, saíamos para dançar, digo, saíamos para vê-lo dançar, nunca gostei disto, apesar de já ter ganhado alguns concursos de bailado na caserna. Se bem que aquilo não conta. Só tinha maluco naquele lugar. Bom, mas isso é uma outra história, não compensa mencionar neste momento.



Um tempo depois, cansado de só ver homens, tanto no quartel quanto em qualquer lugar onde fosse, que por sinal eram lugares feios, sujos e indecentes, percebi que deveria conhecer alguém que pudesse enfeitar meus olhos, digo, meus olhares. Já estava cansado der ver tranqueiras. Sabe, existem épocas de nossas vidas em que devemos procurar coisas mais belas para se olhar, e assim poder admirar... Isto é tão bom. Então, num dado instante da vida, estava eu, perdido em lugares estranhos como: velórios, batizados, quermesses, jantares e chás beneficentes. Tudo para ver se encontrava alguém decente. Sorte minha que o esforço valeu à pena, e o melhor, nem precisei ficar muito tempo nesta parada onde a falsidade impera.

A Olga surgiu em minha vida quando eu, sentado certa vez numa banqueta ao lado de uma caixa de madeira cheia de ovos, sendo que seriam cozidos e preparados em algum prato gigante de maionese. Tudo bem, sempre gostei de maionese. E como foi que ela me conheceu? Sentou-se glamourosa ao meu lado enquanto eu, no meu total estado de quietude e tranqüilidade, dechavava sem dó e de maneira ininterrupta meu prato de maionese. Mas estranhamente ela gostou de mim, viu graça naquela cena grotesca. Vestida em sedas sorria vez por outra para minha pessoa. Quanto a mim, de cara para o prato, trajava, naquela época, uma camiseta furada nas costas junto com pequenas manchas de amora também nas costas, mas como vivia de casaco ninguém percebia estas particularidades.



As coisas aconteceram como tinham de acontecer, mesmo que ela sendo linda e se trajando e se portando de maneira aristocrática, acabou se rendendo aos meus estranhos encantos. Enfim, as coisas acontecem sem explicações, e quer saber de uma? Certas coisas nem precisam disto também, pois as explicações revelam segredos muitas vezes desnecessários ao bom entendimento. Se quisermos, podemos viver a vida inteira sem explicações. Seremos totais ignorantes, isto é certo, mas por outro lado seremos mais felizes, pois o encanto sobre todas as coisas continuará lá, envolvido numa aura mítica e... Mas o que é que estou falando? Droga! Acabou minha cerveja. Essas coisas sempre acontecem quando estou empolgado bebendo minha cerveja, ou meu vinho, ou meu uísque, ou minha vodca.


E cá estamos nós, sorrindo... E tudo mais.

Oiram Bourges 16:57 [+]
Domingo, Novembro 11, 2007


COMO TEMPO É DINHEIRO RESOLVI EXPOR, LOGO DE UMA VEZ, O MOTIVO DESTA POSTAGEM. E JÁ QUE A ESTÓRIA JÁ FOI CONTADA ATRAVÉS DO CORREIO ELETRÔNICO, RESTOU APENAS O ESPAÇO PARA MOSTRAR A CAPA DO LIVRO.


Caso queira visualizar maior esta foto clique 35 vezes com o botão direito do mouse em cima da imagem e em seguida arraste-a para a pasta de sua preferência. Se não der certo, paciência. Afinal de contas você até que tentou fazer.

Oiram Bourges 23:47 [+]

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